sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Quando o Encanto Quebra o Sigilo

E foi assim que o post da semana passada acabou não acontecendo; fim de semana agitado, agenda lotada, e o resto da semana meio fora do ar. Mas aqui estamos de novo, para atualizar o universo sobre essa banda misteriosa chamada QEQS.

Mano, que ensaio épico o da semana passada. Tivemos um momento onde posso dizer que alcançamos o nirvana musical (não a banda, o estado de espírito). Como já contei em outras ocasiões, estamos trabalhando intensamente nos treinos e estudos do album Sticky Fingers, com a ideia de aprender inteiro, e poder tocar de ponta a ponta. Não é um álbum difícil ou complexo (tem músicas que usam só três acordes), mas o difícil é "soar bem". Com isso, falo de dinâmica, de espaços, de intensidades; de produzir (ou reproduzir) uma mixagem coesa, onde tudo tem seu lugar e espaço. Poder ouvir cada guitarra, cada detalhezinho na caixa, cada alongamento de notas na voz, perceber a expressividade, se deixar levar pelo dialogo entre bateria e baixo... Esse é o desafio desse álbum.

Cabe lembrar a vocês que não fazemos cover, nem queremos fazer um cover. Queremos tocar esse álbum sendo fieis a música, ao sentimento, mas sem uma reprodução nota por nota do registro original. Queremos "entender" cada música, e nos apropriar dela sem descaracterizá-las. 

Voltando à questão do nirvana, foi assim. Uma das músicas tem um momento de solo/improviso, onde o protagonismo fica por conta de bongô, sax, e outros luxos que não temos na nossa formação; isso exigia medidas drásticas. Assumi a responsa de fazer um solo simples, que sirva apenas como base (ou fundação) para a entrada de dois solos de guitarra, de duração variável, mas apoiados no "chão" que criei ao fazer uma virada exatamente a cada 4 compassos. Com isso, cada solo acaba durando 12 ou 16 compassos, antes de ir ao próximo solo, e daí para uma convenção (ou seja, uma sequencia já combinada) para o final da música. 

O louco desse momento é que nada estava escrito; nem a minha parte na batera, nem o formato ou duração dos solos. Precisávamos nos comunicar, tocar como gente grande, ter visão um do outro, e noção do que cada um estava fazendo. Não era só tocar, pirar, era fazer parte de um todo. Nesse momento, fomos uma banda, coesa, coordenada, consciente, e curtindo. 

O melhor de tudo: temos esse momento registrado em vídeo. Pedi pra Patry (que não cantava nessa parte) que filmasse, para termos uma referência e poder estudar depois. Eis que sem querer, registramos algo que com certeza poderia ser parte dos especiais que acompanhariam nosso DVD, se tivéssemos um. Saca só o que rolou:



Momento de criação total. Pensa que nada disso estava escrito, foi tudo criado como diálogo na hora. Com certeza, falta bastante ainda pra ficar legal, mas mostrar isso pra vocês, revelar para o mundo assim, com defeitos, cru, sem edição nenhuma, e a maior prova que posso dar para defender o que sempre digo: tocamos porque gostamos, não para aparecer. Que a música nos leve, onde tiver que nos levar.


Paz e rock no coração, bom fim de semana e até o próximo post!

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